quinta-feira, 16 de maio de 2013

In Memorian de Laiz Rodrigues de Lima - Dulcinéia Marchiori


 
Tua aparência foi-se embora para o Além,
Deixando no meu peito uma saudade imensa,
De nossa vida amena, boa e sem descrença
No amor de Deus que certamente nos mantém.
 

Sofreste por demais... sei mais do que ninguém...
No dia-a-dia amargo e rude da sentença,
Sem reclamar...  pensando em Deus que te quer bem
E já te deu o céu Azul da Recompensa!
 

Na minha carne enfrento a voz dos sentimentos:
Lutei, sofri, gritei, exausta,só e impotente
Perante o mal que pouco a pouco te abateu.
 

Mas o Amor de Deus ainda brilha em nossa mente
Iluminando agora todos os momentos
De nosso Amor, que sempre eterno... não morreu

 

DULCINÉIA MARCHIORI

quarta-feira, 8 de maio de 2013

Mãe Autora - Marilza Pereira Calsavara





Mãe

Mãe nos carrega no ventre,
Sente a vida dentro dela,
Nossos movimentos crescendo,
Desconfortos provocando,
Mesmo assim espera silente,
O doce momento...
Em que estivermos em seus braços.

Acalentando-nos em seus seios,
O alimento perfeito recebemos,
Junto dele vem o amor incondicional,
A força de um sentimento,
Que só brota do amor de mãe,
Que sente os nossos lamentos,
E nos aconchega em seus braços maternos.

Mãe, laços eternos nos une,
Nenhum desacerto nos desune,
Porque aquele que tenta anular esse amor,
Não tem força suficiente,
Para esse efeito maldoso conseguir,
Porque o amor materno,
Foi criado por Deus que governa o Universo.





Marilza Pereira Calsavara

terça-feira, 30 de abril de 2013

Índia Fênix - Ana Lúcia Sampaio (Clara Fênix)

       
 

   Sou índia com olhos de Fênix
   Ando pelas matas
   Voo pelos ares

A seiva da floresta está impregnada em minhas veias
Misturando-se a terra
Esvaindo-se no ar!

Em meu corpo de gente
Prefiro voar
Tal qual um pássaro

Em minha pintura de guerra
Sigo o ritmo do coração da terra
Que chora a falta dos seus

Minhas lágrimas são gotas da chuva serena
Despedida do meu irmão
Que tombou no solo da indignação

Roubaram-nos o direito de sermos gente
Sou índia!
Que traz a noite nos cabelos

No coração o desejo
Destas matas sempre preservar
Que a memória dos meus antepassados
Seja sempre respeitada

Não apenas num dezenove de abril
Sou índia!
Sou gente!

Tenho a alma da floresta
Que todo dia acorda em festa
Para ao nosso Criador brindar!
Ana Lúcia Mendes dos Santos Sampaio (Clara Fênix)

 

quinta-feira, 25 de abril de 2013

Momentos do Sarau da Casa do Poeta - 20/04/2013

Academia Campinense de Letras

O tenor Vicente Montero e a pianista Lurdes Vasques

 


José  Roberto Teixeira ( Presidente da Casa do Poeta)


Araci Finotelli  Pires
Adelina de Sá
Miriam Brasilino Miatto 

Rachel dos Santos Dias
 
Rosana Montero Cappi



O nosso agradecimento à Clarice Luiz, pelas fotos 

terça-feira, 23 de abril de 2013

Liberdade Ainda que Tardia - (1974-1984) Rachel dos Santos Dias


LIBERDADE AINDA QUE TARDIA”

“Libertas quae sera tamen” – 1974 (repressão militar)

 Meu tempo está sendo a noite
Não posso ser dia nem tarde.
Pelo contrário, estou no tempo
Errado e preciso viver a liberdade!
 

Preciso, afinal, voltar a viver
 e entender
Como é bom, afinal, ser livre!
Poder falar do que sobeja a alma.
Lutar pela vida e viver!

Não perder tempo em controlar o amor,
Não sofrer, não ter ciúmes,
Poder ter posse, não ter medo!
Livre para não me preocupar
Com a preocupação.

Não guardar mais nenhum segredo!

Ter meu tempo, meu espaço, meu quinhão.
Ter tudo o que é meu, ser minha, afinal.
Não mais grades e muros,
Lugares tristes e escuros,
Esperança em fase terminal!
 
Não posso dar o que quero,
Não posso me dar a quem quero
Não posso falar o que penso
Sem medo ou perturbação! 

Dar o dom da fala, o fruto da minha pena,
o meu olhar que perscruta.
Meus ouvidos que ouvem mais que o som.
Meu toque, minha intuição,
meu afago, meu coração.

Livre para viver, ir e vir.
Livre para morrer.
Para não ter medo de ser livre.
E poder, enfim, voar para o infinito
E não mais ficar na pedra da praia
Espalhando cinzas carpideiras pelos cabelos

A procurar seixos coloridos que não existem mais...
Silêncio... Eles estão tristes...
Nem posso olhar as estrelas
Porque não estou livre! 

Em fins de Outubro de 1975
 
 
   
 
 

“LIBERDADE AINDA QUE TARDIA”

“Libertas quae sera tamen” – 1984

(ABERTURA POLÍTICA)
 
Meu tempo é a tarde

Que, em tempo, não se fez tarde,
Pelo contrário, está no tempo
Certo e preciso de viver a liberdade!
 
Livre para entender e saber
Como é bom, afinal, ser livre!
Poder falar do que sobeja a alma.
 
Lutar pela vida e viver!
Não perder tempo em não amar,
Em sofrer, em ter queixumes,
Em ter posse, em ter medo!
Livre para não me preocupar
Com a preocupação.
 
Não guardar mais nenhum segredo! 
É meu tempo, meu espaço, meu quinhão.
Tudo é meu, sou minha, afinal.
Não mais grades e muros,
Lugares tristes e escuros,
 
Esperança em fase terminal! 
Agora já posso dar o que quero,
Já posso me dar a quem quero
Posso falar o que penso
Sem medo ou perturbação! 
 
Dar o dom da fala, o fruto da minha pena,
o meu olhar que perscruta.
Meus ouvidos que ouvem mais que o som.
Meu toque, minha intuição,
meu afago, meu coração.
Livre para viver, ir e vir.
Livre para morrer.
Para não ter medo de ser livre.
 
E poder, enfim, voar para o infinito
E não mais ficar na pedra da praia
Espalhando cinzas carpideiras pelos cabelos
A procurar seixos coloridos que não existem mais...
Silêncio... Eles estão livres...
Eles viraram estrelas...
           Porque eu estou livre!
 

Rachel dos Santos Dias


 

terça-feira, 9 de abril de 2013

Procissão do Encontro - Lu Narbot

 
Procissão do Encontro
É tempo de Páscoa
e me vem à mente a infância
e as coisas simples que então havia:
o capim pro coelhinho,
ovos cozidos tintos com cascas de cebola,
e as procissões,
ah! as procissões.
A do Encontro era de madrugada
bem cedinho;
papai ia com os homens
por um caminho
e eu por outro,
com as mulheres.
Ao fim da procissão,
defronte à Igreja,
o Encontro,
que para mim, pequenininha,
não era o do Cristo com Sua Mãe,
mas meu encontro com papai.
Nas procissões noturnas
havia as velas, tão bonitas,
e o medo de que alguém
incendiasse os cabelos do vizinho
Quisera eu ser ainda
a menininha
e, ao fim da procissão
do Encontro,
poder, de novo, encontrar meu pai.

 
Lu Narbot