convite sarau de natal

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quarta-feira, 7 de dezembro de 2016

Hoje, Já é Outro o Dia. Lin Quintino



Hoje, já é outro o dia

distante daquele
em que nós empenhamos
os sentimentos

Hoje, já é outra a solidão
distante daquela
em que o silêncio
era o único a preencher o coração

Hoje, já é outro o tempo
e o vento que sopra
já não traz a dor que me doía

hoje, já é outro o dia... Hoje, já é outra a dor...

                                                                      Lin Quintino




quinta-feira, 10 de novembro de 2016

Primavera - Eunice Rodrigues de Pontes

Resultado de imagem para primaveraPrimavera, singeleza de cores
em flores desabrochando.
Beleza infinita do Criador,
natureza exuberante, sobrepujante.
 
Primavera, quem me dera poder
ser simples assim, sem afetação
nem galardão; há sempre tanta
beleza em toda sua pureza.
 
Primavera, estação bela, festiva,
repleta de alegria, agradável aos
olhos e ao coração; tudo fica mais
radiante, cheio de vida, esfuziante.
 
Primavera é igual ao amor: incontida,
enfeita o mundo; cheia de bonança
torna tudo mais bonito; faz brotar 
a esperança e renascer a vida.

 Eunice Rodrigues de Pontes

sábado, 5 de novembro de 2016

Uma Mensagem para Mariana- MG - Rosana Montero Cappi


Sobrevivente
Para reconstruir
Continuar a crer
Na esperança e no amor
Na superação da dor 
No despertar consciente
Para o cuidado do meio ambiente
Agora é tempo de aprender
Com essa dura lição 
Que causou tanta destruição 
Sobrevivente
Para entender que a natureza
Ante a ganância é totalmente indefesa
Mas todos nós dela parte fazemos
Só que disso esquecemos 
Os sobreviventes de Mariana
Agora tem essa missão
De lutar pela restauração
Do rio Doce
Dizendo não à exploração 
A toda empresa de mineração
Que não tem controle e respeito
E só causa degradação.

Rosana Montero Cappi 
05/11/2016



segunda-feira, 31 de outubro de 2016

Potranca Arisca - Poesia de Cordel - Clarice Luiz

               Resultado de imagem para DESENHO DE CORDEL  MULHER

                 1
O causo que vou contar
Aconteceu realmente
Foi em um tempo passado
Mas permanece presente
Sendo muito comentado
Na boca de muita gente.
                 2
No fundo de um abismo
Em um rio caudaloso
Ana menina franzina
Num esforço fabuloso
Tenta manter-se a tona
Nesse lugar tenebroso
              3
 Sua irmã Doralice
Moça de rara beleza
Indiferente observa
Da irmã toda tristeza
Se debatendo na água
Lutando na correnteza
                   4
 Na menina ela prendeu
Uma corda na cintura
Afogando e salvando
Prolongando a tortura
Tudo para garantir
A sua vida futura
                 5
Tire-me irmã querida
 Calar-me ei podes crer
Farei tudo que quiseres
Mas não me deixe morrer
Que será de  nossos pais
O que irás lhes dizer ¿
               6
Ao apelo não escuta
A megera ardilosa
Desde cedo prostituta
Muito má e ambiciosa
Escondia de seus pais
Sua vida duvidosa
                7
Não era a primeira vez
Mas continuadamente
Beatriz sem piedade
Torturava a inocente
Para que não revelasse
Sua vida indecente
                  8
A  menina finalmente
Da água é retirada
Seu cabelo ensopado
Sua roupa encharcada
Faz o seu corpo tremer
Ana está congelada  
               9
Livre agora do terror
De joelhos ela cai
Agradece ao Salvador
E, correndo dali sai
Temendo outro castigo
Para sua casa vai
             10
Trabalhando na lavoura
Sob um sol escaldante
Os pais ficam ausentes
Pois a roça é distante
A jovem descontrolada
Recebe ali seu amante
                  11
Vá chamar o meu amigo!
Diz a jovem arrogante
Em busca daqueles homens
Ana corre a todo instante
Fielmente obedece
A sua irmã irritante
              12
Esquecendo o cansaço
Ela vai com o recado
Para logo retornar
Com o novo convidado
Arisco e ansioso
Vem correndo o safado
              13
Do alto de uma arvore
A menina  espiava
Ao se aproximar alguém
 A Sua irmã avisava
Escapar dos seus castigos
Era só o que desejava
              14
Mas o tempo foi passando
E a garota cresceu
Ficando muito bonita
Realmente, floresceu
A irmã gananciosa
Um novo plano teceu
               15
Aquela bela mocinha
Poderia lhe ajudar
A sair daquela roça.
Na cidade ir morar.
Com sua irmã donzela
Muito tinha a  lucrar.
            16
Se conquistar a menina
Se dela me aproximar
Conseguirei o que quero.
Fazendo-a  cooperar
Terei  vestidos e jóias
Sem precisar trabalhar      
              17
Com jeitinho e astúcia
A garota agradou
Ficou muito carinhosa
E de mimos a cercou
A ninfeta encantada
A mudança adorou
            18
Tenho dinheiro Guardado
Poderemos viajar
Conhecer outras pessoas
Roupas  e jóias comprar
Com toda essa beleza
Terás o que desejar!!
               19
Já tenho tudo que quero
Minha irmã e amiga
Dizia Ana, inocente
Para a pior inimiga
Esquecendo o passado
Com  toda sua intriga
              20
O velho pai ocultava
Uma preocupação
Ouvira o rádio falar
De uma tal revolução
O medo se apoderou
Desse pobre coração        
              21
Ana como de costume
Para a roça levou
A refeição caprichada
Que Beatriz preparou
Não demorou quase nada
Logo pra casa voltou.
              22
Algo estava diferente.
Devagar se aproximou
Vozes brutais ela ouviu
Seu coração disparou
Escondeu-se num repente
Quando o grito escutou
               23
A porta escancarada!
Um cão morto ela notou.
Beatriz ensanguentada
Pela porta assomou
Fugia  desesperada
Do homem que a pegou.
             24
Ele pulou sobre ela
Gritando em excitação
Minha potranca arisca
Eis aqui seu garanhão!
Logo  outro apareceu
Querendo o seu quinhão          
              25
Estavam todos fardados
Vinham  da revolução
Ana correndo fugia
Procurando proteção
Desesperada pedia
A  Deus sua proteção
            26
Quando voltou com os pais
Viram a desolação
Beatriz, pobre coitada
Jazia morta no chão
O sangue ainda corria
Em grande profusão
            27
A família desolada
Deste sítio se mudou
Foi para outra cidade
Onde então se instalou
Tudo era novidade
Beatriz dali gostou
            28
Seu vizinho tem um filho
Recentemente chegado.
Rapaz bonito e gentil
Foi até condecorado
Por bravura!Diz o pai
É um valente soldado!                  
            29

Tiago a primeira vista
Por Ana se apaixonou
Que ao ver esse soldado
Do passado se lembrou
Fugiu de sua presença
E no quarto se trancou
             30
O velho pai, carinhoso
A menina consolou
Deixe pra traz o passado
O rapaz de ti gostou!
Para agradar o pai
Com Tiago Ana casou
              31
O noivo na  lua de mel
Em carinho exagerou
Sentindo muito prazer
No orgasmo ele gritou
Minha potranca arisca
Seu garanhão encontrou!
               32
Ana desesperada
Daquela cama saltou
Pegou a arma do esposo
E sua cabeça estourou
Cortou seus genitais
E na lixeira jogou  
            33
Ana hoje é prisioneira
Nunca se arrependeu
Tiago pagou com a vida
O sofrimento que deu
O seu fogo se apagou
Como Beatriz morreu.

Clarice Luiz  15-8-2016
Clarice Luiz

quarta-feira, 19 de outubro de 2016

Poema À Casa do Poeta - Regina Angelo

                            Entrada do ICCT - Onde acontecem os saraus da Casa do Poeta de Campinas


Casa do Poeta

Nasci " Casa do Poeta",
em berço de ouro pelo tesouro
que me foi confiado.
O brilho amarelo do sol
aquecia nossa casa e a primavera florida
cantava em versos férteis
imersos em euforia e lirismo...
O explodir do riso farto em cascata,
envolvia a todos. E o ar se vestia de festa!
Fui crescendo, de bebê a criança inteligente;
de bela adolescente a jovem culta, eficiente.
Hoje é meu aniversário; completo vinte
anos e convoco a todos: vinde!
Vinde com sementes
de sabedoria, esperança e amor.
Vinde o poeta e o piano; a viola e o tenor.
Sem temor, achegai-vos todos: a pintura,
o coral, o teclado mesmo a cantiga antiga
de amor ou de amigo, sem lamúria, só ternura!
Aguardo quem revele emoção
em verso comovente, alegre ou triste
para sorrir ou chorar até o mais insensível,
que aos acordes da hora resiste.
Agora, como antes, meus braços abertos,
acolhem o pequeno e o grande talento,
para o sarau - vesperal ! - que invento
ou algum outro majestoso evento.
Cumpro, na alegria, o zelo pela cultura
desta terra campineira,
a fechar nela, como moldura
sua riqueza de música e literatura!
Neste dia, então, sou muito feliz,
quando alguém a sorrir me diz:

" Parabéns, Casa do Poeta de Campinas!"

                                                                       Regina Angelo