O causo que vou contar
Aconteceu realmente
Foi em um tempo passado
Mas permanece presente
Sendo muito comentado
Na boca de muita gente.
2
No fundo de um abismo
Em um rio caudaloso
Ana menina franzina
Num esforço fabuloso
Tenta manter-se a tona
Nesse lugar tenebroso
3
Sua irmã Doralice
Moça de rara beleza
Indiferente observa
Da irmã toda tristeza
Se debatendo na água
Lutando na correnteza
4
Na menina ela prendeu
Uma corda na cintura
Afogando e salvando
Prolongando a tortura
Tudo para garantir
A sua vida futura
5
Tire-me irmã querida
Calar-me ei podes crer
Farei tudo que quiseres
Mas não me deixe morrer
Que será de nossos pais
O que irás lhes dizer ¿
6
Ao apelo não escuta
A megera ardilosa
Desde cedo prostituta
Muito má e ambiciosa
Escondia de seus pais
Sua vida duvidosa
7
Não era a primeira vez
Mas continuadamente
Beatriz sem piedade
Torturava a inocente
Para que não revelasse
Sua vida indecente
8
A menina finalmente
Da água é retirada
Seu cabelo ensopado
Sua roupa encharcada
Faz o seu corpo tremer
Ana está congelada
9
Livre agora do terror
De joelhos ela cai
Agradece ao Salvador
E, correndo dali sai
Temendo outro castigo
Para sua casa vai
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Trabalhando na lavoura
Sob um sol escaldante
Os pais ficam ausentes
Pois a roça é distante
A jovem descontrolada
Recebe ali seu amante
11
Vá chamar o meu amigo!
Diz a jovem arrogante
Em busca daqueles homens
Ana corre a todo instante
Fielmente obedece
A sua irmã irritante
12
Esquecendo o cansaço
Ela vai com o recado
Para logo retornar
Com o novo convidado
Arisco e ansioso
Vem correndo o safado
13
Do alto de uma arvore
A menina espiava
Ao se aproximar alguém
A Sua irmã avisava
Escapar dos seus castigos
Era só o que desejava
14
Mas o tempo foi passando
E a garota cresceu
Ficando muito bonita
Realmente, floresceu
A irmã gananciosa
Um novo plano teceu
15
Aquela bela mocinha
Poderia lhe ajudar
A sair daquela roça.
Na cidade ir morar.
Com sua irmã donzela
Muito tinha a lucrar.
16
Se conquistar a menina
Se dela me aproximar
Conseguirei o que quero.
Fazendo-a cooperar
Terei vestidos e jóias
Sem precisar trabalhar
17
Com jeitinho e astúcia
A garota agradou
Ficou muito carinhosa
E de mimos a cercou
A ninfeta encantada
A mudança adorou
18
Tenho dinheiro Guardado
Poderemos viajar
Conhecer outras pessoas
Roupas e jóias comprar
Com toda essa beleza
Terás o que desejar!!
19
Já tenho tudo que quero
Minha irmã e amiga
Dizia Ana, inocente
Para a pior inimiga
Esquecendo o passado
Com toda sua intriga
20
O velho pai ocultava
Uma preocupação
Ouvira o rádio falar
De uma tal revolução
O medo se apoderou
Desse pobre coração
21
Ana como de costume
Para a roça levou
A refeição caprichada
Que Beatriz preparou
Não demorou quase nada
Logo pra casa voltou.
22
Algo estava diferente.
Devagar se aproximou
Vozes brutais ela ouviu
Seu coração disparou
Escondeu-se num repente
Quando o grito escutou
23
A porta escancarada!
Um cão morto ela notou.
Beatriz ensanguentada
Pela porta assomou
Fugia desesperada
Do homem que a pegou.
24
Ele pulou sobre ela
Gritando em excitação
Minha potranca arisca
Eis aqui seu garanhão!
Logo outro apareceu
Querendo o seu quinhão
25
Estavam todos fardados
Vinham da revolução
Ana correndo fugia
Procurando proteção
Desesperada pedia
A Deus sua proteção
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Quando voltou com os pais
Viram a desolação
Beatriz, pobre coitada
Jazia morta no chão
O sangue ainda corria
Em grande profusão
27
A família desolada
Deste sítio se mudou
Foi para outra cidade
Onde então se instalou
Tudo era novidade
Beatriz dali gostou
28
Seu vizinho tem um filho
Recentemente chegado.
Rapaz bonito e gentil
Foi até condecorado
Por bravura!Diz o pai
É um valente soldado!
29
Por Ana se apaixonou
Que ao ver esse soldado
Do passado se lembrou
Fugiu de sua presença
E no quarto se trancou
30
O velho pai, carinhoso
A menina consolou
Deixe pra traz o passado
O rapaz de ti gostou!
Para agradar o pai
Com Tiago Ana casou
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O noivo na lua de mel
Em carinho exagerou
Sentindo muito prazer
No orgasmo ele gritou
Minha potranca arisca
Seu garanhão encontrou!
32
Ana desesperada
Daquela cama saltou
Pegou a arma do esposo
E sua cabeça estourou
Cortou seus genitais
E na lixeira jogou
33
Ana hoje é prisioneira
Nunca se arrependeu
Tiago pagou com a vida
O sofrimento que deu
O seu fogo se apagou
Como Beatriz morreu.
Clarice Luiz 15-8-2016
Clarice Luiz |