terça-feira, 7 de dezembro de 2004

DEZEMBRO - 2004 - NEI ARDITO

MARIA Ap. S. NEI  ARDITO

S O L I D àO

Solidão
É caminhar sozinho nos sonhos desfeitos.
É o apagar de luzes no clarão da alma.
É abrir portas e só ouvir o vento
No badalar das horas mortas.
      Solidão
      É partir e trazer vazios.
      É faltar presença da pessoa amada.
      É ouvir respostas com sua própria voz.
Solidão
É sentir ternura
Abraçando o nada...

quinta-feira, 11 de novembro de 2004

NOVEMBRO - 2004 - NORMA de LOURDES

NORMA de LOURDES  G. RIBEIRO

R O S E I R A L

Esta roseira que floriu agora,
Lembra o retrato do que fui outrora,
Alegre, leve, despreocupada,
Mimosa, colorida e perfumada.
      Cada florzinha que se entreabre,
      Num quotidiano e celestial milagre,
      Torna maior a fé que trago em mim,
      Tranforma em paraíso o meu jardim.
Na pinturesca e verdejante esteira,
Roteiro eterno da imortal roseira,
Segue minh'alma a senda reflorida
Buscando ao léu o néctar desta vida,
      Ao contemplá-la em toda a plenitude,
      Sinto findar-se a minha juventude,
      Pois todo o ano a planta reverdece
      E a menina moça é que envelhece...

sexta-feira, 22 de outubro de 2004

OUTUBRO - 2004 - CAMILO GUIMARÃES


CAMILO  GUIMARÃES

A  LÁGRIMA

Concha de prata ! Beijo que fascina
A mágoa do viver que se esmaece.
Esfinge do sofrer tão cristalina,
Pétala da alma cinzelada em prece.
      Lágrima argêntea ! Flor que vaticina
      Todo o sonhar que o coração floresce,
      Berço que embala uma ilusão divina,
      Para segar do sofrimento a messe.
Esta brasa divina e amortecida
Da fogueira vivaz da nossa vida
Crepita, quando as ilusões se vão.
      Realejo da dor sagrando idades,
      Sacrário embalsamado de saudades,
      A lembrar-nos que temos coração.

domingo, 10 de outubro de 2004

OUTUBRO - 2004 - LANDINI

SIDNEI  LANDINI

ALHEIO  A  TUDO

Quem passou pela vida alheio a tudo,
Ao céu, ao mar, ao brilho das estrelas,
Ao verde das palmeiras, sem, contudo,
Abrigar o seu peito à sombra delas !
      Quem passou pela vida alheio e mudo
      Às súplicas das aves, e, com elas
      Não padeceu ao vir do inverno agudo
      Nem entendeu o ardor que vinha nelas !
Quem passou pela vida alheio e estulto,
Aceitando os martírios de um insulto !
Quem passou pela vida e sobretudo,
      Aspirações não teve e amar não quis,
      Não foi humano, foi um infeliz
      Que passou pela vida alheio a tudo !

terça-feira, 21 de setembro de 2004

SETEMBRO - 2004 - LAÍS R. de LIMA

LAÍS  RODRIGUES  de  LIMA

O  IPÊ

Ordenou Deus: que nasça no Paraíso
Uma árvore elegante e majestosa,
E que levante ao céu, sem mais aviso,
Os seus galhos alegres, como a rosa.
      E completando a ordem, de improviso:
      Nasçam-lhe flores: brancas, cor-de-rosa,
      Amarelas, que imitem meu sorriso.
      Que seja forte, mas, também, graciosa.
Noiva de insetos, cheia de primores,
Toda radiante, revestida em flores,
Amada, respeitada e enaltecida.
      E assim apareceu, na Terra, o ipê,
      A árvore que, em agosto, você vê
      Nas matas do Brasil, toda florida !


sexta-feira, 20 de agosto de 2004

AGOSTO - 2004 - ARITA

ARITA  DAMASCENO  PETTENÁ

ELEGIA  AO  AMOR

O amor inteiro é mistério,
É céu toldado de sombras,
É súplica, é mágoa, é saudade,
É riso e lágrimas juntos.
      O amor é folha caída,
      É rio que corre, é cascata,
      É rosa desfeita ao vento,
      É vento que sopra ligeiro.
O amor é sim, o amor é não,
É céu e inferno perenes,
Canta em bosques floridos,
Chora em noites sombrias.
      O amor é sonho desfeito
      Que a brisa levou ao mar,
      É prazer que nunca se alcança,
      É dor que nunca se acaba.

sexta-feira, 9 de julho de 2004

JULHO - 2004 - Lúcia Octaviano

LÚCIA  HELENA  OCTAVIANO

FLORESCER

Deixaste que te seguisse,
E até me puxaste a mão;
Olhaste minha meiguice,
Roubaste meu coração.
      Te segui dentre caminhos
      Que tão tortuosos são,
      Retribuiste meus carinhos,
      Me afagaste com a mão,
E tu me ensinaste a escolha
De viver por um só dia.
Me colheste como folha,
Me fizeste só alegria.
      Se floresço viva, agora,
      Transbordando minha paz,
      É que o tempo só melhora
      O que teu amor me faz.