quinta-feira, 10 de março de 2005

MARÇO - 2005 - L. BADARÓ


LOURDES  BADARÓ

MEU  JARDIM

No teu chão eu plantei cadasemente,
Fui jardineiro, artista e sonhador;
Com sonhos adubei a terra quente,
Envolvi, com cuidado, cada flor.

      Transformei-te em refúgio florescente
      Alfombrado, de mágico esplendor,
      Onde perpassa a brisa suavemente
      E o arvoredo me vem falar de amor...

Lindo jardim, recanto ameno e calmo
Que eu adoro e conheço palmo a palmo,
De onde espio passar a minha vida !

      Em teu seio enterrei tantas lembranças,
      Amores que floriram nas andanças,
      Um adeus, uma triste despedida !











quinta-feira, 17 de fevereiro de 2005

FEVEREIRO - 2005 - A. BORBA

ARLINDO  BORBA  de  OLIVEIRA

TROVAS  PATRIÓTICAS

Eu te vejo, minha bandeira,
como um clarão de bonança
e te amarei por inteira
Oh ! Pavilhão da Esperança !
          **********
Bandeira do meu Brasil
que eu amo desde nasci;
quem não te amar será vil,
não merecendo a ti !
          **********
Ver-te no alto da glória
meu Brasil, ainda espero,
a redimir tua História
como a potência que eu quero !

sexta-feira, 14 de janeiro de 2005

JANEIRO - 2005 - BENNY SILVA


BENNY  SILVA

O  ESPELHO  QUEBRADO

Cada rosto que em cacos vê-se imerso
Da alma-espelho, quebrada em seu arcano,
Deve reunir seu interior disperso,
Como pastor do coração humano.
      Uno qual pétalas de rosa, o inverso
      Da dispersão do estranho íntimo insano,
      O homem fora a harmonia do universo,
      Antes de ser do espírito um profano...
Se de imagens uma alma é construída,
Cuja unidade fora dividida,
Busco ser um na minha multidão...
      Qual sol que traz à luz, céus e buracos,
      Desta alma-espelho eu hei unir os cacos
      Pelo amor que é a manhã do coração !

terça-feira, 7 de dezembro de 2004

DEZEMBRO - 2004 - NEI ARDITO

MARIA Ap. S. NEI  ARDITO

S O L I D àO

Solidão
É caminhar sozinho nos sonhos desfeitos.
É o apagar de luzes no clarão da alma.
É abrir portas e só ouvir o vento
No badalar das horas mortas.
      Solidão
      É partir e trazer vazios.
      É faltar presença da pessoa amada.
      É ouvir respostas com sua própria voz.
Solidão
É sentir ternura
Abraçando o nada...

quinta-feira, 11 de novembro de 2004

NOVEMBRO - 2004 - NORMA de LOURDES

NORMA de LOURDES  G. RIBEIRO

R O S E I R A L

Esta roseira que floriu agora,
Lembra o retrato do que fui outrora,
Alegre, leve, despreocupada,
Mimosa, colorida e perfumada.
      Cada florzinha que se entreabre,
      Num quotidiano e celestial milagre,
      Torna maior a fé que trago em mim,
      Tranforma em paraíso o meu jardim.
Na pinturesca e verdejante esteira,
Roteiro eterno da imortal roseira,
Segue minh'alma a senda reflorida
Buscando ao léu o néctar desta vida,
      Ao contemplá-la em toda a plenitude,
      Sinto findar-se a minha juventude,
      Pois todo o ano a planta reverdece
      E a menina moça é que envelhece...

sexta-feira, 22 de outubro de 2004

OUTUBRO - 2004 - CAMILO GUIMARÃES


CAMILO  GUIMARÃES

A  LÁGRIMA

Concha de prata ! Beijo que fascina
A mágoa do viver que se esmaece.
Esfinge do sofrer tão cristalina,
Pétala da alma cinzelada em prece.
      Lágrima argêntea ! Flor que vaticina
      Todo o sonhar que o coração floresce,
      Berço que embala uma ilusão divina,
      Para segar do sofrimento a messe.
Esta brasa divina e amortecida
Da fogueira vivaz da nossa vida
Crepita, quando as ilusões se vão.
      Realejo da dor sagrando idades,
      Sacrário embalsamado de saudades,
      A lembrar-nos que temos coração.

domingo, 10 de outubro de 2004

OUTUBRO - 2004 - LANDINI

SIDNEI  LANDINI

ALHEIO  A  TUDO

Quem passou pela vida alheio a tudo,
Ao céu, ao mar, ao brilho das estrelas,
Ao verde das palmeiras, sem, contudo,
Abrigar o seu peito à sombra delas !
      Quem passou pela vida alheio e mudo
      Às súplicas das aves, e, com elas
      Não padeceu ao vir do inverno agudo
      Nem entendeu o ardor que vinha nelas !
Quem passou pela vida alheio e estulto,
Aceitando os martírios de um insulto !
Quem passou pela vida e sobretudo,
      Aspirações não teve e amar não quis,
      Não foi humano, foi um infeliz
      Que passou pela vida alheio a tudo !