segunda-feira, 23 de junho de 2003

JUNHO - 2003

HONÓRIO  CHIMINAZZO

DESESPERO
O fogo do desespero
Queimou minhas ilusões.
Hoje sou um triste que passa
Na vida que já passou.
Só existe dentro de mim,
O expectro de quem amou.
      Os desenganos levaram
      Os sonhos que me animaram
      Na correnteza da vida,
      Deixando aberta a ferida
      Que envolve meu coração,
      Neste mundo de ilusão.
E da ingratidão que mata,
Minha alma já está farta
E aos poucos se apaga a luz.
Carregando minha cruz
Carrego também a coroa e o espinho
Até o fim do meu caminho.



DURVAL  OTERO

SILÊNCIO
O silêncio é profundo,
tem força descomunal,
em apenas um segundo
surgindo, vence o rival.
      O silêncio é segredo...
      é força não revelada
      que vai crescendo, sem medo,
      e surge na hora acertada.
Na vereda desta vida
o silêncio é tesouro
que conduz e consolida,
vale muito mais do que ouro.

sexta-feira, 16 de maio de 2003

MAIO - 2003

YEDA  LEITE  DIAS

MÚSICA  NA  MADRUGADA

De repente, uma música divina,
Se fez ouvir pela madrugada,
A lentidão de um solo na surdina,
Como se fora uma lira embriagada.
      Pelo espaço, infiltrou-se a doce melodia,
      Despertando-me de um sonho atormentado,
      Na sensação de uma breve nostalgia,
      Transportou-me num momento ao passado.
Assim levada pelo som embriagante,
Abri a janela na penumbra calma
E ali pude sentir o prazer repousante.
      Que superou minha nostalgia vã
      E trouxe paz novamente à minh'alma
      Ao antever na noite a brisa da manhã.



LOURDES  BADARÓ

NÃO  DIREI  NADA

Perante tua dor fico calada...
O silêncio tem dedos de veludo,
Acaricia a alma machucada,
Com maciez de plumas, e diz tudo !
      Eu vi em teu olhar o apelo mudo,
      E a angústia da esperança malograda;
      Senti teu coração quase desnudo,
      Bater numa cadência apaixonada.
Não te direi palavras, meu amigo,
Se expressar o que sinto não consigo
È porque não há nada que dizer :
      Por favor toma, em tuas mãos calosas,
      As minhas mãos amigas e sedosas
      E deixa, assim, a mágoa adormecer !

quarta-feira, 16 de abril de 2003

ABRIL - 2003

BENNY  SILVA

ROSA  DO  AMOR

Sendo infinito e paciente,
Ó Cristo, do amor oriundo,
Lançaste a tua semente
Nas entranhas deste mundo.
      Sabendo-o não infecundo,
      Um pouco lento somente,
      O teu olhar, sol profundo,
      O ilumina atentamente...
Ó jardineiro Jesus,
Há de abrir-se, perfumosa,
Tua semente de luz
      Do terno e tardo botão,
      E a vida será uma rosa
      Na palma da Tua mão !




SIDNEI  LANDINI

QUARENTA  ANOS

Anos depois de tudo ainda re escuto
- Quarenta deles para ser exato -
A gargalhar, mantendo-te em recato
Sorrindo à mim, por menos de um minuto...
      Hoje esquecido, pago-te o tributo :
      Não olvidei jamais de teu retrato,
      Tenho-o guardado em mim como um ornato
      Não de uma festa e sim sinal de luto !
Não pude ver-te mais, faltou-me pulso,
Coragem, força, destemor, impulso
Para ganhar de novo o teu sorriso...
      Não te vi mais e mesmo assim te quero,
      Anos depois de tudo ainda te espero...
      - Quarenta deles para ser preciso -

sábado, 15 de março de 2003

MARÇO - 2003

CAMILO  GUIMARÃES

INÙTILMENTE

A certeza de ter dentro do peito
O coração pulsando inùtilmente,
Crendo que todo amor é imperfeito
Que a dor sempre conosco está presente.
      Que vontade ! Sorrir do mesmo jeito,
      Na singela expressão de antigamente,
      Vendo tudo do modo mais perfeito,
      Tornando-me, outra vez, bom e inocente.
Tenho os olhos manchados de incertezas,
Arranhados nas rudes asperezas
De tudo o que no mundo, em vão, existe.
      Cubro a alma com a mortalha de mim mesmo,
      Esquecido, sem sonho, andando a êsmo,
      Porque tudo, na vida, é humano e triste.



ANANIAS  BATISTA  FONTES

UMA  LUZ  NO  MEU  CAMINHO

Qual Estrela Dalva apareceste um dia
Em minha estrada turva e desolada,
Plena de encanto e divinal magia,
Qual doce lírio em límpida alvorada.
      Depois, sumiste em meio à caminhada;
      Na atroz saudade e com melancolia,
      Perdido e com minha alma aprisionada
      Fiquei no calabouço da agonia...
Não te demores na distância, assim,
Retorna e vem ficar bem junto a mim,
Pois quero na incontida ansiedade
      Ser um devoto, sempre a te adorar,
      Bem junto a ti eu quero sempre andar,
      Aqui na terra e, enfim, na eternidade !

sábado, 15 de fevereiro de 2003

FEVEREIRO - 2003

ODETTE  T.  SANTUCCI  OCTAVIANO

B E L E Z A

És lindo... De repente vejo o quanto
Teus traços vigorosos têm o encanto
Que mostram velhas árvores rugosas,
Torcidas, seculares, resinosas...
      És lindo... E perfeição não há, no entanto,
      Nos teus traços que acusam desencanto...
      Suavidade não há de belas rosas,
      Nem a levesa de aves muito airosas...
És lindo... Uma beleza de interiores
Que existe só nos entes superiores,
O porte te tomou, eis a certeza.
      És lindo... E na beleza de tu'alma
      Existe o paradoxo que acalma:
      És lindo... E não precisas de beleza !





FRANCISCO  FERNANDES  DE  ARAÚJO

D E S A F I O...

Inimizade é uma tolice,
Posso afirmar o que aprendi,
E repetir o que alguém disse,
Quero fazê-lo agora, aqui...
      Historiazinha me contaram,
      De bom efeito e relevância,
      Sobre dois sábios que brigaram
      Por coisa à-toa, de implicância...
Se enquadra bem nesta questão,
Porque depois de tempo imenso
Um deles vai e aperta a mão
Do velho amigo, ainda tenso...
      Que "desmontou-se" envergonhado,
      Do lindo gesto não ser seu,
      Dizendo assaz emocionado :
      - Parabéns ! És melhor do que eu !...

terça-feira, 14 de janeiro de 2003

JANEIRO - 2003 - ENID M. BESTETI PIRES

ENID  M.  BESTETI  PIRES

RECORDANDO

Neste trecho final da caminhada
O prazer amorável, que se sente
É virar para trás e repassada
De carinho, por no hoje, o tempo ausente,
      Revivendo a trajetória, já, traçada
      E de novo sonhar alegremente
      Com sorrisos, amor e afortunada
      Existência, que aos poucos, foi fugiente.
Que o ignoto porvir seja esquecido;
Que se deixe ao destino, seu sentido;
Que de lado se ponha a ansiedade;
      Que do ocaso se faça o aurorescer;
      Que de novo se possa então viver,
      No mais terno aconchego da saudade.



LAÍS  GURGEL  BENEVENUTO

SOLIDÃO

Abriu-se espaço em mim,
Fez a cratera.
Lançou-se a cruz maldita da traição.
Veio a descrença, destruiu os sonhos...
Marejou os olhos de lágrimas a incerteza
Varreu-me d'alma o encanto do verão.
      Não mais verei o sol com tanto encanto,
      Pois, foram-se os sonhos, nada mais existe,
      Só matéria, sujeira e solidão.

quarta-feira, 1 de janeiro de 2003

NOSSO BLOG

   
      Este  BLOG  está  cumprindo rigorosamente  o  estatuto e o
  regulamento  da  CASA  DO  POETA  DE  CAMPINAS.
                         LEIA  NO  " QUEM  SOU  EU ".
      DIVULGAR  POESIAS  E  INCENTIVAR  E  ORIENTAR
                                  NOVOS  POETAS.

                             1º de JANEIRO DE 2003.