domingo, 15 de fevereiro de 2004

FEVEREIRO - 2004 - F. F. de ARAÚJO

FRANCISCO  FERNANDES  de  ARAÚJO

SONETO  DO  AMOR

Abri meu coração e nele entrou
Um lindo sentimento que nem sei
Se eu sou, mais uma vez, o que passou,
Ou existe diferença no que amei...
      Importa-me saber que não morri,
      Estou sempre disposto a querer bem :
      Na vida, sei fazer o que aprendi :
      - Amar, intensamente amar alguém...
Minha alma sabe bem o que é chorar,
Caminhos tortuosos percorreu,
Mas canta, mesmo assim, e vem dizer :
      - Amar, é muito bom poder amar...
      Não ama quem há muito feneceu...
      Sofrer é divinal, se o amor viver...

quinta-feira, 15 de janeiro de 2004

JANEIRO - 2004 - JEHOVAH

JEHOVAH  BRAZ  do  AMARAL

DAS  CORES

Os psicólogos, comentários tecem
Das influências da cor em nossa vida.
O cinza e o preto deprimem, entristecem
E o roxo forte lembra a dor sofrida.
      As cores pálidas descansam, enternecem
      Verde é esperança, é a moral erguida.
      Do rosa ao vermelho se conhecem
      Ao otimismo a parcela contribuida.
Não importa quantos, os anos já vividos
Enquanto a aurora matizar as flores
Tenham as mulheres vestes coloridas.
      Não é o escuro que a idade espelha.
      O ARCO-IRIS só tem as vivas cores
      E é chamado também : Arco da Velha.

segunda-feira, 15 de dezembro de 2003

DEZEMBRO - 2003 - VIDAL

F.  VIDAL  RAMOS


VELHA  FIGUEIRA

Velha figueira morta, abandonada,
Ramos quais braços apontando o além,
Na curva mais bonita lá da estrada,
À espera de quem vai e de quem vem...

      Velha figueira morta, abandonada,
      Quando passava lentamente o trem,
      Ela era sempre por alguém saudada :
      O trem não passa mais, não há ninguém...

O tempo que é implacável, desalmado,
Deixou seu tronco outrora avantajado,
Em pedaços disformes, que nem sei.

      E eu que te amei, figueira confidente,
      No tronco teu procuro, qual demente,
      O nome dela que a chorar gravei...

segunda-feira, 10 de novembro de 2003

NOVEMBRO - Grupo - 2003 - ACI

NORMA  de  L.  GUIMARÃES  RIBEIRO

NADA  RESTOU

Há quanto tempo não vejo o teu semblante,
Que outrora foi para mim, a luz do dia,
Mas sei agora, que não mais encontraria,
Em teu olhar, aquele amor distante.
    Quantas saudades sinto das palavras,
    Misto de amor e de carinho, que embalavam
    Os sonhos que em minh'alma se aninhavam
Sepultei no coração essas palavras,
E os sonhos que em minh'alma se guardaram,
Nos meus olhos em pranto se apagaram...

NOVEMBRO - 2003 - S. LANDINI

SIDNEI  LANDINI

C A S C A L H O

Rasgo um papel, mais outro, pondo fora
O que restou de um vasto calhamaço,
E este gesto de pô-los fora, o faço
Sem o mínimo risco de penhora.
      E, pouco a pouco, livro-me do maço,
      Sem muita pressa, e sem muita demora,
      Aquilo tudo escrito numa aurora
      Para justificar o meu cansaço.
Antes de terminar este trabalho,
Quero ver se consigo dos escombros
Recuperar ao menos um cascalho:
      Era um texto falando de um carvalho,
      Era um verso que fiz sob os teus ombros,
      Dito com tuas lágrimas de orvalho !

segunda-feira, 20 de outubro de 2003

OUTUBRO - 2003 - ARITA

ARITA  DAMASCENO  PETTENÁ

SONHO  DESFEITO

Não consigo reter entre as mãos
Todos os sonhos acalentados.
Eram tantos, hoje são tão poucos
Que deles já não lembro
Nem sequer eu os lamento.
Lembro apenas - isto eu sei -
Que sonhei ser muito amada,
Ser até uma princesa
No reino encantado de alguém.
No entanto, a terra dura,
Maltratada e sem carinho,
Fez murchar no chão da vida
Meu pobre sonho de amor !

quarta-feira, 17 de setembro de 2003

SETEMBRO - 2003 - JEHOVAH e LAÍS

JEHOVAH  B.  do  AMARAL

V I O L Õ E S

Não vistes nunca vasos decorados
E na decoração rosas em cores ?
Cheio de flores tornam-se encantados
Porque são flores carregando flores.
      Também não vistes esses delicados
      Bebês feitos em biscuit ? são uns primores
      E quando por crianças transportados
      São uns amores acariciando amores.
A mesma sensação, mesma alegria
Eu vi cheio de encanto e de poesia
E em estase fiquei maravilhado.
      Atraido pelo som fui de mansinho
      E uma mulher a dedilhar um pinho
      Era um violão a outro sobraçado.



LAÍS  RODRIGUES  de  LIMA

DEUS  E  O  PASSARINHO

Outro dia, mamãe, ao ler minhas poesias,
Perguntou-me curiosa e com maior carinho:
- Por que colocas tu, meu filho, nas poesias,
Tanto a palavra Deus, bem como passarinho ?
      E eu, então respondi:- mamãe: minhas poesias,
      São enviadas por Deus, e quanto ao passarinho,
      Tenho predileção e muitas simpatias
      Porque ele é puro, belo, e tão delicado.
Que não consigo ver noutro animal da terra,
A inocência e expressão que a sua figura encerra.
- Figura que me atrai pela pureza, enfim !
      Por isso, ao passarinho e a Deus eu rendo graças.
      A Deus, por ter criado um ser puro e sem jaças,
      E ao passarinho, por cantar no meu jardim !...