sexta-feira, 20 de abril de 2007

ABRIL - 2007 - ARITA

ARITA  DAMASCENO  PETTENÁ

PEREGRINO  TRISTE

Debaixo daquela árvore,
já sem ramos, já sem frutos,
eu vi chorar o viajor,
peregrino de estradas já sem rumo.
      Olhos tristes de lembranças vagas,
      deixou correr pela face cansada,
      a lágrima acre de uma dor sentida,
      o soluço de um amor perdido.
E abraçado ao casco sem vida,
confessou baixinho ao tronco antigo,
os sonhos findos, as esperanças mortas,
de um passado que se chamou saudade.
      E parecia ouvir do caule amigo
      sussurros doces que lhe diziam assim:
      Melhor enfrentar a vida sem receios
      a chorar o que não volta mais.

domingo, 15 de abril de 2007

ABRIL - 2007 - VIDAL

F.  VIDAL  RAMOS

O  PALHAÇO

As mãos trementes pela dor da idade,
pintam o rosto cavernoso e frio,
criando um ar de paz e de bondade,
por sobre um mundo de ilusões vazio !
      No pobre camarim, a claridade
      invadindo o cenário tão sombrio,
      aos poucos quebra a rude obscuridade,
      como um raio de sol em pleno estio...
E um rosto novo surge sobre o rosto
que era a marca mais viva de um agosto,
de frio, de tristeza e de pesar.
      Como eu quisera ser como um palhaço,
      suplantando do amor o meu fracasso,
      e um coração feliz poder mostrar !

sábado, 3 de março de 2007

MARÇO - 2007 - A. LACERDA


ANTONIO  LACERDA

ÚLTIMO  CIGARRO

Estou sentado na calçada
onde você há pouco se sentou,
fumando o último cigarro,
que você deixou.
E na fumaça eu vejo seu vulto,
como loucas borboletas
à procura de amor,
vão vêm de asas soltas
ao encontro de tantas outras,
que sentem a mesma dor.
Cego de raiva vou para casa
sem poder compreender
que todas essas loucuras
são por causa de você.

terça-feira, 20 de fevereiro de 2007

FEVEREIRO - 2007 - MARILZA



MARILZA  PEREIRA  CALSAVARA

A  ESTRADA  DO  SUCESSO

A estrada para o sucesso não é uma reta.
Há uma curva chamada fracasso.
Um trevo chamado confusão.
Quebra-molas chamados amigos.
Faróis de advertência chamados família.
Pneus furados chamados empregos.
Mas se você tiver um estepe chamado determinação,
Um seguro chamado fé,
E um motorista chamado consciência,
Você chegará a um lugar chamado sucesso.

quinta-feira, 4 de janeiro de 2007

JANEIRO - 2007 - NEI ARDITO

NEI  ARDITO

FOTOGRAFANDO  O ABSTRATO

Enquanto tu me dizias
dos teus medos e dilemas
dos teus encantos e desencantos
tudo em forma de poemas,
eu assim refletia:
- O que é a poesia,
se não a fotografia
de todos os sentimentos ?
E é quando, em tua face afloram
as emoções sentidas
em outro tempo, tornado agora,
que eu te digo:
- Poesia, meu amigo,
é do sentimento o próprio retrato,
é a sensibilidade de um poeta
fotografando o abstrato.

domingo, 3 de dezembro de 2006

DEZEMBRO - 2006 - ARITA

ARITA  DAMASCENO  PETTENÁ

MEUS  OLHOS-MULHER

Meus olhos são aquarelas indefiníveis
De um cismar profundo.
Tenho medo que neles se detenha
O olhar do mundo, indiferente e frio,
Mas se um dia sobre as águas mansas
Do meu doce mar azul
Vier à tona este amor tão puro,
Hei de dizer a todos que me fitam,
Que fui feliz e sempre muito amada,
Porque fui eu mesma em toda a plenitude
Sem me curvar jamais
À mesquinhez dos brutos.

domingo, 5 de novembro de 2006

NOVEMBRO - 2006 - LÚCIA OCTAVIANO

LÚCIA  HELENA  OCTAVIANO

BOLA  DE  SABÃO

Voa, pura, colorida,
Pairando sobre a alegria.
Mal chega, prepara a ida,
Faz-se importante no dia.
      Tão provocante e emotiva,
      Mostra-se um só instante:
      Tão alegre, tão festiva,
      Duração tão inconstante...
Quem já não gostou na vida ?
Quem já não lhe deu seu ar ?
Quem já desprezou sua ida
Sem que sentisse pesar ?
      Fugindo por entre os dedos,
      Escapando pela mão
      Voa, tão livre de medos
      Linda bola de sabão.