segunda-feira, 5 de novembro de 2001

NOVEMBRO - 2001 - S.LANDINI

SIDNEI  LANDINI

B A S T A  !

Basta ! Depois de tanto amar, frustrado,
Eis-me de novo, só, pelo caminho,
E a minha frente, apenas, adivinho
Nuvens, borrascas, solidão; coitado !
      A me esperar, quem sabe ? o burburinho
      De um sonho mau, em sombras mascarado;
      Como se fosse o fel de um mau bocado
      A ser servido a mim, junto ao meu vinho !
Não quero mais amar de novo... Basta !
Para que serve uma paixão nefasta
Se já experimentei dessa colheita ?
      É melhor afastar-me e, na suspeita
      Que um novo amor em mim oculto nasça,
      Que eu possa conjurar essa ameaça...

terça-feira, 9 de outubro de 2001

OUTUBRO - 2001

ARLY  GOMES  RIBEIRO

SONHO  DE  ADOLESCENTE

Sucedem-se dias, a brisa, o vento,
Vem vindo, suavemente, lá da altura,
Na terra, fato atesta a criatura
Palpita, vibra e passa o seu momento.
      À noite, num instante de ternura,
      Emerge, embevecido o pensamento
      No sonho, sem igual, que experimento:
      Amar-te. só amar-te, que ventura !
Se, por pouco que seja, o que escrevi
Consiga convencer-te o suficiente
De que não foi em vão que amor senti;
      Então, quando à alvorada ou ao sol poente,
      Lembrar que a afeição tive por ti,
      Será a vida bela, resplendente.




ALCY  GIGLIOTTI

ESPÍRITO  DE  NATAL

Meu velho Papai Noel...
De mim tu podes lembrar-te ?
Menino puro e donzel,
Muito Amor e pouca Arte !
      Fui depois, pasme, o Senhor !
      Roupa igual, a barba branca...
      Tempo meu de doador
      De pai, avô e carranca !
E agora, de novo antigo,
Pedindo Amor e Fanal,
Voltei a sonhar contigo
E um presente de Natal !...

segunda-feira, 10 de setembro de 2001

SETEMBRO -2001

YEDA  LEITE  DIAS

O  TEMPO  E  O  VENTO

O tempo levou
No compasso do vento
O sonho que passou...
Mas o tempo deixou
Saudosas lembranças
Que o tempo transformou
Em renovadas esperanças
Pelo que ficou.




CONCEIÇÃO  ARRUDA  TOLEDO

À   M E S A

Teu lugar à mesa
Está vazio.
Assim ficará para sempre,
Pois foste para a morada
Da qual jamais retornarás,
Quando me volto e procuro
Teu rosto, reconheço
Minha condição solitária
Que para sempre perdurará.
Não mais te verei à mesa
Gostando ou não das iguarias
Por mim preparadas,
A refeição me é insípida,
Sem gosto, cheiro ou atrativo,
A contragosto alimento o corpo,
Tendo a alma faminta
E sedenta de ti.

quarta-feira, 8 de agosto de 2001

AGOSTO - 2001

SARA  VALADARES

AS  QUATRO  ESTAÇÕES

Não vivo de brisa dizem alguns.
Mas eu me proponho,
a viver de verão.
Pretendo esticar os dias
claros pelo sol,
como se fossem estrelas no céu
infinitas...
Mas antes,
é preciso afastar as nuvens
que povoam meu mundo.
Minha estação atual
defino-a como sendo outono,
já que as lágrimas cairam
como folhasamarelecidas
de final de estação.
Saudade,
sentimento indefinido,
poeira soprada pelo vento
e que, aos poucos,
se junta no fundo do coração,
na forma de solidão.
Por isso,
quero a brisa, quero o verão,
e quero, - por que não ?
todo o brilho que possa me oferecer
o seu olhar.






LAÍS  GURGEL  BENEVENUTO

V O C Ê

Você que povoou de sonhos minha vida,
E me amou assim, como eu queria.
Em suas cartas de amor sempre fazia
De querê-lo um pouco mais a cada dia.
      Hoje seu vulto assoma ao passado,
      E faz-me sentir de novo esta alegria,
      De arder no fogo da paixão tardia.
De amá-lo na mais doce fantasia
De sufocar de beijos sua boca,
Renascer este passado de magia.

domingo, 8 de julho de 2001

JULHO 2001

FRANCISCO  FERNANDES  DE  ARAÚJO

O MESMO VENTO QUE ASSOPRA...

Este vento que me toca,
me fustiga e bate forte,
muitas vezes me desloca
Leste-Oeste, Sul ao Norte...
      E me encontra sem guarida.
      me derruba pelo chão,
      quanto mais tento a subida,
      mais me força a contramão...
Quando o vento é forte assim,
a prudência é se amoitar,
vê-lo tim-tim-por-tim-tim,
de onde se possa albergar...
      Logo se vê num momento,
      que ele refresca e se acalma,
      nos dá brisa e um novo alento,
      e acaricia nossa alma...




NORMA  GUIMARÃES  RIBEIRO

QUEM  À  MINHA  CASA  VEM

Quem à minha casa vem,
encontra as portas abertas
e um coração que contém
muitas virtudes despertas.
      Quem à minha casa vem,
      sem pretensões e altivez,
      nela encontrará, também,
      arte do melhor jaez.
Não verá grandes fortunas,
malquerenças importunas,
que a minha casa não tem.
      Mas sentirá fé crescente
      e uma amizade freqüente,
      voltada só para o bem.

sexta-feira, 8 de junho de 2001

JUNHO - 2001 - DURVAL - GENI - AGENOR

DURVAL  OTERO

S O R R I S O S

Sorriso meigo e doce representa
satisfação, amor, contentamento,
a coisa mais querida que se tenta
transmitir sempre com grande talento...
      Lindo sorriso, sim, felicidade,
      alegria se vê no bom semblante
      num só momento e vale eternidade
      ou muito mais, embora um só instante...
É fascinante ver-se alguém sorrir
quando se chega e é bem recebido:
- amor e paz só pode refletir !
      Sorrisos devem, pois, ser derramados,
      mas verdadeiros, bons, no bom sentido
      e serão muitos males afastados !...





AGENOR  SANTOS  GONÇALVES

MEL  DAS  ILUSÕES !

Por favor devolva a paz
Que de mim você tolheu,
A paixão veio sem consulta
Invadiu todo o meu eu.
      Os meus dias que eram vazios
      Ficaram repletos de você,
      Minhas noites são martírios
      Não consigo lhe esquecer.
Só mesmo de amor secreto
Advem tais emoções,
Sabor amargo do fel
Mas com o mel das ilusões !

segunda-feira, 7 de maio de 2001

MAIO - 2001 - Arita Damasceno Pettená



ARITA  DAMASCENO  PETTENÁ

FAZ  DE  CONTA...

Como é bom cerrar os olhos
e brincar de faz de conta...
Passa o tempo, passam as horas,
ninguém sabe quem eu sou.
E sou de novo criança,
cato nuvens, conto estrelas,
colho sonhos, canto o amor,
sem saber que de repente,
no relógio da saudade
o ponteiro desandou.
E sou mulher novamente,
dentro de um mundo real,
esmagada contra o tempo,
perdida no espaço rude,
chorando derrotas amargas,
gritando verdades que dóem,
correndo sozinha parada
sempre à procura do Amor.




NEI  ARDITO

MEU  EU  AUSENTE

O sol em agonia, morre lentamente
no marinho mar,
enquanto nuvens acenam vermelhos
no horizonte.
E eu contemplo, aparentemente calma,
o ausente de mim,
que do meu barco mergulha
à procura dos sonhos
- náufragos de minh'alma -