terça-feira, 21 de setembro de 2004

SETEMBRO - 2004 - LAÍS R. de LIMA

LAÍS  RODRIGUES  de  LIMA

O  IPÊ

Ordenou Deus: que nasça no Paraíso
Uma árvore elegante e majestosa,
E que levante ao céu, sem mais aviso,
Os seus galhos alegres, como a rosa.
      E completando a ordem, de improviso:
      Nasçam-lhe flores: brancas, cor-de-rosa,
      Amarelas, que imitem meu sorriso.
      Que seja forte, mas, também, graciosa.
Noiva de insetos, cheia de primores,
Toda radiante, revestida em flores,
Amada, respeitada e enaltecida.
      E assim apareceu, na Terra, o ipê,
      A árvore que, em agosto, você vê
      Nas matas do Brasil, toda florida !


sexta-feira, 20 de agosto de 2004

AGOSTO - 2004 - ARITA

ARITA  DAMASCENO  PETTENÁ

ELEGIA  AO  AMOR

O amor inteiro é mistério,
É céu toldado de sombras,
É súplica, é mágoa, é saudade,
É riso e lágrimas juntos.
      O amor é folha caída,
      É rio que corre, é cascata,
      É rosa desfeita ao vento,
      É vento que sopra ligeiro.
O amor é sim, o amor é não,
É céu e inferno perenes,
Canta em bosques floridos,
Chora em noites sombrias.
      O amor é sonho desfeito
      Que a brisa levou ao mar,
      É prazer que nunca se alcança,
      É dor que nunca se acaba.

sexta-feira, 9 de julho de 2004

JULHO - 2004 - Lúcia Octaviano

LÚCIA  HELENA  OCTAVIANO

FLORESCER

Deixaste que te seguisse,
E até me puxaste a mão;
Olhaste minha meiguice,
Roubaste meu coração.
      Te segui dentre caminhos
      Que tão tortuosos são,
      Retribuiste meus carinhos,
      Me afagaste com a mão,
E tu me ensinaste a escolha
De viver por um só dia.
Me colheste como folha,
Me fizeste só alegria.
      Se floresço viva, agora,
      Transbordando minha paz,
      É que o tempo só melhora
      O que teu amor me faz.

sexta-feira, 11 de junho de 2004

JUNHO - 2004 - J.B.

JOÃO  BAPTISTA  MUNIZ  RIBEIRO

VOU  VIVENDO

Vou vivendo o amargor de uma tristeza
Que machuca meu peito noite e dia,
Qual espada, rasgando com firmeza
Um pobre coração em agonia.
      E o amargor, aumentando a correnteza,
      Com lamúrias, angústia e nostalgia,
      Enriquece meu ser com tal pobreza,
      Tornando minha vida mais vazia.
Passam-se as horas, vai-se o tempo embora...
Mudar, não posso. Que fazer agora,
Se passei tanto tempo amargurado ?
      Pensar em outra, não mais pensarei.
      E eu que até ao final tanto lutei,
      Trago o cetro de dor do derrotado.

quarta-feira, 19 de maio de 2004

MAIO - 2004 - VIDAL RAMOS

F. VIDAL  RAMOS

O U T O N O

Outono... O vento sopra, penetrante
Desfolhando minha árvore da rua,
Enquanto um frio lúbrico, cortante,
Faz aumentar esta saudade tua !
      A solidão amarga e sufocante,
      Dentro de mim me fere e se acentua,
      Enquanto triste, a se fazer minguante,
      Aos poucos some a confidente lua...
Outono... Esta tristeza é tão dorida,
Que se desfaz aos poucos minha vida,
Que só foi vida porque foi paixão !
      E neste outono caprichoso e louco,
      Como a lua, minguando a pouco e pouco,
      Trago o outono de dor no coração !

segunda-feira, 26 de abril de 2004

ABRIL - 2004 - S.LANDINI

SIDNEI  LANDINI

T A R D E

Penumbra, nevoeiro, fim do dia;
Restos de luz morrendo a cada passo,
E pássaros voltando pelo espaço,
Dardejando ao sabor da ventania !
      Tarde partindo em triste sinfonia,
      Com a noite trazendo em seu regaço,
      Mistério, sombra e medo, quase um traço
      De esplendor, de arrepio e de agonia !
Quero que seja assim a minha morte :
Como a tarde que morre indefinida
Não deixando vestígios de si mesma.
      E este delírio que hoje me ensimesma,
      Que seja como a pétala perdida
      De uma flor que ficou à própria sorte...

domingo, 21 de março de 2004

MARÇO - 2004 - L.BADARÓ

LOURDES  BADARÓ

QUARESMEIRA

Esplêndida visão que tanto acalma,
- Em roxas nuances de ouro encandecida -
É lenitivo aos sofrimentos da alma
E devolve, a quem chora, a paz perdida.
      Desabrochada em flor, na tarde calma,
      - A deslumbrante árvore garrida, -
      Irradiando beleza, leva a palma,
      Alegra o coração e enfeita a vida.
Feliz de quem ao ver a quaresmeira,
Pára um instante e nela o olhar demora
Esquecido das mágoas e canseira...
      Há de guardar no templo da lembrança,
      - Relicário fiel que à mente aflora -
      A flor saudade em hastes de esperança !