quinta-feira, 5 de março de 2009

MARÇO - 2009 - CARIS


CARIS  GARCIA

O  BALANÇO

Jamais deveríamos parar de balançar
As recordações do vento que agitava os cabelos
as cordas que nos faziam tocar o céu
a brincadeira que nos levava de lá para cá.
    Por vezes imaginávamos que quase podíamos voar
    impulsionávamos nosso corpo para frente e para trás
    e pensávamos em como é gostoso apenas balançar
    somos crianças crescidas que apenas esquecemos
    das lembranças divertidas do ato de brincar.
Dormíamos sonhando que no outro dia
o balanço estaria novamente à disposição
corríamos a sentar na madeira colorida
que ficava quase perto do chão
e que estava prestes a balançar
gratuitamente a nos levar
ao encontro do sol, do tempo e do ar.



domingo, 22 de fevereiro de 2009

FEVEREIRO - 2009 - SÍLVIA ROCHA

SÍLVIA  MARIA  ROCHA

AMOR  QUE  ACALMA

Não há necessidade de palavras
É só ficar assim desse jeito.
Lembras quando não falavas
Pousavas a cabeça ao meu peito.
      Caminhavamos lado a lado,
      Eu seguia teus passos
      Tinhas a felicidade encontrado
      No aconchego dos teus braços.
Lembras quando foi embora assim
Eu não consegui entender
Morreu algo dentro de mim
Deixei minha vida se perder.
      Agora te encontro aos prantos
      Sentindo teu mundo desabar
      Vejo o olhar dos meus encantos
      No meio da vida, deixar-se levar.
Veja como a vida joga
Mesmo na dor, te perdoei
Assim terás de volta
Todo amor que eu guardei.
      Agora não digas nada
      Eu sempre sonhei algo assim
      Pousa teu rio de mágoas em mim.

domingo, 11 de janeiro de 2009

JANEIRO - 2009 - AGMON

AGMON  CARLOS  ROSA

ÁGUAS  QUE  VI  PASSAR...

Cantava o rio com voz plangente,
melodiosa, agucei os ouvidos...
A voz ressoava cheia de saudades.
Olhava as águas e na corrente vi
meu pai, meus amigos, eu mesmo,
ainda criança, ainda feliz !
      Águas que vi passar,
      eu as vi sempre ali, vertentes,
      sabia que nunca iriam parar.
      Não me preocupava a pressa da corrente
      formada por mim, pelos meus, por
      todos aqueles que a tinham deparado.
Águas que vi passar, carregadas
de sonhos, em busca de suas metas,
as cataratas, o lago, o mar,
uma a uma elas as alcançava...
      Das águas formava a bruma
      que subia ao céu, transformando-se
      em chuva, a cair das alturas.
      Virava regato, virava rio, fluia
      de novo ás suas metas.
      Outra vez repetia a jornada...
Águas que vi passar,
Águas que me banhei...
(porque não as represei !)
Seria ainda criança,
Seria  de novo feliz !

quinta-feira, 11 de dezembro de 2008

DEZEMBRO - 2008 - MARILZA

MARILZA  PEREIRA  CALSAVARA

O   T E M P O

Tempo, o grande mestre da vida,
que guarda a lembrança querida,
que marca o ontem, o hoje, o amanhã,
tempo que nos dá guarida,
no espaço da vida,
na luz do sol ou na calada da noite...
Tempo, o médico da vida,
que cura as feridas da lida,
dos corações flechados,
dos romances acabados,
guardião da esperança,
da fé e da confiança...

terça-feira, 11 de novembro de 2008

NOVEMBRO - 2008 - SARA VALADARES


SARA  VALADARES  RIBEIRO  dos  SANTOS

H Ó S P E D E

Será que se eu escrever
te amo,
Você ainda me dará crédito ?
Pergunto,
Porque, amor é palavra empoeirada
No meu dicionário,
Já que deixei de  usá-la
No vocabulário diário,
Quando hospedei em meu peito
A última saudade.

quarta-feira, 22 de outubro de 2008

OUTUBRO - 2008 - JEHOVAH


JEHOVAH  BRAZ  do  AMARAL

SUBIR  PARA  BAIXO

Dormir aos pés dos pais na madrugada
Foi um capricho que vivi quando criança,
Fato banal que parece não ser nada
E ora se avulta quando a idade avança.
      A cama grande, minha caminha alí pegada
      As minhas manhas vêm-me à lembrança
      O frio ou o medo era a desculpa que evocada
      Fazia sorrir minha mãe tão terna e mansa.
A mesma cena sempre igual se repetia
" Suba aqui em baixo e aos meus pés se aquiete "
De pronto a um pulo, eu feliz a obedecia.
      Hoje é a ternura que ao recordar encaixo...
      A ferir a lógica gramática não me compete
      Quando há saudades de " subir pra baixo ".

quarta-feira, 10 de setembro de 2008

SETEMBRO - 2008 - ÉDISON VASCONCELOS

ÉDISON  CYSNE  de  VASCONCELOS

CONTRASTES  DA  VIDA

Existem moços, velhos, bem velhinhos,
Que não sabem da vida o que fazer.
Existem velhos, moços, bem mocinhos,
Que fazem desta, um belo viver !...
      Alguns moços, tristonhos, sem carinhos,
      Não sabem desfrutar deste prazer.
      Velhos, sorrindo, dão muitos beijinhos,
      E fazem da vida um terno querer !...
De nada compartilham, só, sozinhos;
Nada lhes apraz, somente querem "ter".
Idosos, porém, trazem seus netinhos;
      Dividem com carinho seu saber;
      Outros vivem sem lar, nem filhinhos,
      Tudo da vida tentam esquecer !...