segunda-feira, 10 de dezembro de 2012

MARCO - FLÁVIO LEVY

 


MARCO

 NENÊ JÁ ESPERADO, APÓS VOCÊ TER VINDO,
QUANDO CALÇADOS FOREM SEUS PEZINHOS,
DO COLO, A SUA VIDA VAI SE CONDUZINDO
PORQUE NÃO VAI SABER AINDA ANDAR SOZINHO

E ENQUANTO CRESCER SEUS PAIS VÃO DECIDINDO
 AONDE VOCÊ VAI E COM QUAL SAPATINHO
ATÉ QUE UM DIA VERÃO  VOCÊ  INDO
ESCOLHER OS SEUS SAPATOS E  CAMINHO.

OUTROS SAPATINHOS, É CERTO, CHEGARÃO!
SE OS PAIS OU FIHO QUE O CONDUZIRÃO,
DEPENDE DO MOMENTO NO CAMINHO.

PERCEBA QUE EXISTE UM SÓ CORDÃO
QUE DEIXA BELA E FORTE A UNIÃO,
IGUAL AO LAÇO DOS SEUS SAPATINHOS!


FLÁVIO LEVY
 

sexta-feira, 7 de dezembro de 2012

ONDE MORO - JOSÉ LUIZ PIRES




Já bebi em muitas fontes,
Hoje moro onde mato a minha sede.

Provei de variados quitutes,
Hoje moro onde matam a minha fome.

Visitei diversos ninhos,
Hoje moro onde os pássaros são nativos.

Bailei embalado por vários sons,
Hoje moro onde nasce a canção.

No deserto fiz rastro na areia,
Hoje moro onde o vento não apaga minhas marcas.

Abri picada e desmatei mata virgem,
Hoje moro onde a mata refloresce a cada dia.

Viajei em muitas nuvens carregadas,
Hoje moro onde a chuva cai mansa e serena.

Enfrentei vendavais e tempestades,
Hoje moro onde a brisa paira.

Muito andei, desandei e me escondi,
Hoje moro onde me procuram.

Procurei calmaria em rios e mares revoltos,
Hoje moro e navego em águas rasas.

Falei e gritei aos quatro cantos,
Hoje moro onde converso com os meus “eus”.

Ouvi vozes, lamentações e promessas,
Hoje moro onde ouço o meu silêncio.

Casei com o mundo e descasei,
Hoje moro onde namoro a criação.

Sou mordomo onde moro,
Hoje moro onde o Dono é o Criador.

José Luiz Pires

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domingo, 2 de dezembro de 2012

PRECIOSO TEMPO - ROSANA MONTERO CAPPI

Entardecer no Rio de Janeiro, visto do Pão de Açúcar  


 O tempo de uma pessoa
Passa rapidamente
Há quem não se importee
Gastando-o displicentemente.

Não o menospreze
Ele não dura para sempre
Mantenha-se consciente
Aproveite bem o presente.

Ante às dificuldades
Não perca a fé, fique sorridente  
Esparrame amor e generosidade
Condutores do caminho  para a verdade.

Seja o piloto responsável
Pelo barco de tua vida
Para  não naufragar na adversidade
Enfrentando com sabedoria a tempestade.

Siga o exemplo de uma bela aŕvore
Que por anos foi sendo cuidada
Sofreu toda vez ao ser podada
Crescendo firme e fortificada.

Tenha coração de agradecimento
Pela oportunidade de cada momento
Perdoe, seja humilde, peça perdão
Enfim, ao se esgotar o precioso tempo
Terá sido nobre, cumpriu bem tua missão.

Rosana Montero Cappi
Poema publicado na Coletânea CENAPEC História e Poesia
Lançamento 01/12/2012


terça-feira, 20 de novembro de 2012

POUSADA NA JANELA - DALVA SAUDO



A bela janela da moradia do Jardim Garcia
atrai passo a passo o pássaro,
que chega saltitante dando olé!
trinando cantoria, brindando alegria,
Inspirando poesia em passos
e compassos de balé.

É amor entre racional e irracional
onde o pássaro faz sua pousada
em close angelical e magistral
de ousada liberdade,
aos olhares acolhedores.

O cenário torna-se encantador.
Flash no olhar, rebrilhos de alegria
congelam a cena do canário cantor
e a registram na memória
como lindo filme de história de amor.

É identificação de emoção
entre o frágil pássaro desprovido de medo
com pessoas providas de amor no coração.

E afinal...o pássaro personagem principal,
cantor, encantador e inspirador desta poesia,
sente com sabedoria, mesmo irracional...
sua  credencial de liberdade e solidariedade
seu santuário e aviário na bela janela,
desse lar, onde o verbo amar
faz conjugação no coração!

Dalva Saudo
 


sexta-feira, 16 de novembro de 2012

CHEGADA SEM RESPOSTA - SARA VALADARES




Gosto da idéia de Ter-te por perto.
Não quero, e nem devo rotular
Tua presença em meu caminhar.
És, a estrada desconhecida
Na qual começo a andar
Talvez, leve-me a terra prometida,
Ou, quem sabe, me perca
Por algum atalho oferecido pelo destino.
Hoje não busco uma resposta
Para tua chegada,
Que aconteceu num momento de grande vazio,
Onde pouco, ou quase nada
Estava sendo levado em conta;
A não ser   a obrigação do calendário.
Primeiro,
Tua voz chegou-me alegre e carinhosa,
Depois  tua presença suave e amiga
Foi adquirindo proximidade.
E, nesta despretensiosa brincadeira,
Oferecestes condições
Para montar o quebra cabeça a teu respeito
O resultado,
É uma obra inacabada e ainda desconhecida
Fruto de um sentimento não lapidado
Para quem não devo buscar definição,
Apenas, vive-lo.


Sara Valadares