segunda-feira, 26 de abril de 2004

ABRIL - 2004 - S.LANDINI

SIDNEI  LANDINI

T A R D E

Penumbra, nevoeiro, fim do dia;
Restos de luz morrendo a cada passo,
E pássaros voltando pelo espaço,
Dardejando ao sabor da ventania !
      Tarde partindo em triste sinfonia,
      Com a noite trazendo em seu regaço,
      Mistério, sombra e medo, quase um traço
      De esplendor, de arrepio e de agonia !
Quero que seja assim a minha morte :
Como a tarde que morre indefinida
Não deixando vestígios de si mesma.
      E este delírio que hoje me ensimesma,
      Que seja como a pétala perdida
      De uma flor que ficou à própria sorte...

domingo, 21 de março de 2004

MARÇO - 2004 - L.BADARÓ

LOURDES  BADARÓ

QUARESMEIRA

Esplêndida visão que tanto acalma,
- Em roxas nuances de ouro encandecida -
É lenitivo aos sofrimentos da alma
E devolve, a quem chora, a paz perdida.
      Desabrochada em flor, na tarde calma,
      - A deslumbrante árvore garrida, -
      Irradiando beleza, leva a palma,
      Alegra o coração e enfeita a vida.
Feliz de quem ao ver a quaresmeira,
Pára um instante e nela o olhar demora
Esquecido das mágoas e canseira...
      Há de guardar no templo da lembrança,
      - Relicário fiel que à mente aflora -
      A flor saudade em hastes de esperança !

domingo, 15 de fevereiro de 2004

FEVEREIRO - 2004 - F. F. de ARAÚJO

FRANCISCO  FERNANDES  de  ARAÚJO

SONETO  DO  AMOR

Abri meu coração e nele entrou
Um lindo sentimento que nem sei
Se eu sou, mais uma vez, o que passou,
Ou existe diferença no que amei...
      Importa-me saber que não morri,
      Estou sempre disposto a querer bem :
      Na vida, sei fazer o que aprendi :
      - Amar, intensamente amar alguém...
Minha alma sabe bem o que é chorar,
Caminhos tortuosos percorreu,
Mas canta, mesmo assim, e vem dizer :
      - Amar, é muito bom poder amar...
      Não ama quem há muito feneceu...
      Sofrer é divinal, se o amor viver...

quinta-feira, 15 de janeiro de 2004

JANEIRO - 2004 - JEHOVAH

JEHOVAH  BRAZ  do  AMARAL

DAS  CORES

Os psicólogos, comentários tecem
Das influências da cor em nossa vida.
O cinza e o preto deprimem, entristecem
E o roxo forte lembra a dor sofrida.
      As cores pálidas descansam, enternecem
      Verde é esperança, é a moral erguida.
      Do rosa ao vermelho se conhecem
      Ao otimismo a parcela contribuida.
Não importa quantos, os anos já vividos
Enquanto a aurora matizar as flores
Tenham as mulheres vestes coloridas.
      Não é o escuro que a idade espelha.
      O ARCO-IRIS só tem as vivas cores
      E é chamado também : Arco da Velha.

segunda-feira, 15 de dezembro de 2003

DEZEMBRO - 2003 - VIDAL

F.  VIDAL  RAMOS


VELHA  FIGUEIRA

Velha figueira morta, abandonada,
Ramos quais braços apontando o além,
Na curva mais bonita lá da estrada,
À espera de quem vai e de quem vem...

      Velha figueira morta, abandonada,
      Quando passava lentamente o trem,
      Ela era sempre por alguém saudada :
      O trem não passa mais, não há ninguém...

O tempo que é implacável, desalmado,
Deixou seu tronco outrora avantajado,
Em pedaços disformes, que nem sei.

      E eu que te amei, figueira confidente,
      No tronco teu procuro, qual demente,
      O nome dela que a chorar gravei...

segunda-feira, 10 de novembro de 2003

NOVEMBRO - Grupo - 2003 - ACI

NORMA  de  L.  GUIMARÃES  RIBEIRO

NADA  RESTOU

Há quanto tempo não vejo o teu semblante,
Que outrora foi para mim, a luz do dia,
Mas sei agora, que não mais encontraria,
Em teu olhar, aquele amor distante.
    Quantas saudades sinto das palavras,
    Misto de amor e de carinho, que embalavam
    Os sonhos que em minh'alma se aninhavam
Sepultei no coração essas palavras,
E os sonhos que em minh'alma se guardaram,
Nos meus olhos em pranto se apagaram...

NOVEMBRO - 2003 - S. LANDINI

SIDNEI  LANDINI

C A S C A L H O

Rasgo um papel, mais outro, pondo fora
O que restou de um vasto calhamaço,
E este gesto de pô-los fora, o faço
Sem o mínimo risco de penhora.
      E, pouco a pouco, livro-me do maço,
      Sem muita pressa, e sem muita demora,
      Aquilo tudo escrito numa aurora
      Para justificar o meu cansaço.
Antes de terminar este trabalho,
Quero ver se consigo dos escombros
Recuperar ao menos um cascalho:
      Era um texto falando de um carvalho,
      Era um verso que fiz sob os teus ombros,
      Dito com tuas lágrimas de orvalho !