segunda-feira, 10 de novembro de 1997

NOVEMBRO de 1997

JURANDIR  GALLINARI

FRESTA  NA  JANELA

Apenas um raio de luz,
na fresta da minha janela,
pelo qual conduz
ao retrato dela.
      A foto que ela deixou
      no criado mudo do meu quarto
      reluz um só instante,
      de um grande amor distante.
Fresta de janela, amiga e
companheira, deixe a lua
brilhar a noite inteira
para que eu possa ver
sua foto em minha cabeceira.



LÚCIA  HELENA  OCTAVIANO

ENCONTRO

Sonhos, carrosséis perdidos
Ah, triste fim de ilusão !
Pensamentos esquecidos,
Olhos secos, emoção !
      No coração, peso estranho
      Que retorce o pensamento,
      Pois me escondo, desentranho,
      Triste fim, triste momento
Que me esqueço da alegria
Antes tão pronunciada.
Passo estranha todo o dia
E me faço tão fechada.
      Mas me encontro de repente
      Em doces olhos castanhos,
      Que de amor, intensamente,
       Me fazem forte entre estranhos !

segunda-feira, 20 de outubro de 1997

OUTUBRO de 1997 - 1º Aniversário

ARITA  DAMASCENO  PETTENÁ

AH ! SE TU SOUBESSES...

Ah ! se tu soubesses
Da saudade enorme
Que de ti eu sinto,
Do pranto triste
Que por ti eu choro...

Ah ! se tu soubesses
Do vazio imenso
Que deixaste em mim,
Da lágrima pura
Que não teve fim...

Ah ! se tu soubesses
Tu chorarias então,
Não pelo amor
Que não existe em ti,
Mas pela mágoa
Que causaste em mim !



SIDNEI  LANDINI

POR  DEUS !

Por Deus ! Seca-me as lágrimas da face,
Toma de um lenço, nele põe perfume,
E do meu pranto estanca-me o queixume,
Que na garganta, cada dia nasce...

E escuta : se meu coração falasse
Talvez dissesse "- Rujo em fúria e em ciúme,
Que cada vez aumentam de volume,
Sempre que meu amor por ti renasce ! "

E a cada dia, vivo, me atormenta,
E nem sequer palavra boa atenta
Que vem dos mestres, lúcidos e sábios...

Chega-te a mim, amor, dá-me este gosto,
Quero sentir, de novo, no meu rosto,
A doce Primavera dos teus lábios...



CAMILO  GUIMARÃES

HAVERÁ

Haverá o silêncio sobre a chama,
A cativar a solidão da vida,
Motivos de sofrer de quem reclama,
Busca de espera que se faz partida.

Haverá a saudade de quem chama,
Voz entre sonhos de ilusão perdida,
Carícia de esperar, sofrido drama,
De uma antiga lembrança comovida.

Haverá o calar sem mais resposta,
Que o tempo não apagou, de quem se gosta,
E por gostar demais se fez caminho...

E traz a mesa história complicada
Do muito que se quis e não ter nada,
Do nada de ficar ainda sozinho.

quinta-feira, 11 de setembro de 1997

SETEMBRO de 1997

LUIZ  D'OLIVEIRA  PASSOS

SEM  FRONTEIRAS

Desperta gênio humano para a Unidade,
Eliminando todas as loucas fronteiras,
Vivenda bruta, mãe da infelicidade,
Que ovaciona as mais tristes bandeiras.
     Ó povo rude que tem a alma atrofiada,
     É bom beber agora na taça harmoniosa,
     Cheia de paz, docemente acariciada,
     Sem o estertor de uma morte ansiosa.
Voando por esta vida esplendorosa,
Sendo envolto, com perfume de rosa,
Lampeja a vontade forte das gerações.
     No Zênite, fulgurante iluminando,
     Vejam o Mais Sublime hoje anunciando,
     A irmandade entre os homens e as Nações !

quarta-feira, 10 de setembro de 1997

SETEMBRO de 1997

LEONILDO  RODRIGUES  dos  SANTOS

U M A    F L O R

Uma flor que desabrocha
numa estrada poeirenta,
mesmo sendo mal cuidada
a tristeza afugenta.
     É um cenário que vislumbra
     aos olhos do viajante,
     ao pousar sobre suas pétalas
     numa cena emocionante.
É um gozo imensurável
contemplar sua beleza,
mesmo estando empoeirada
nela não se vê tristeza.
     Uma flor transmite amor
     causa sensibilidade,
     e na alma das pessoas
     deleita felicidade.

sábado, 23 de agosto de 1997

AGOSTO - 1997 - JOSÉ DRUMOND

JOSÉ  DRUMOND  de  OLIVEIRA

D A N Ç A

És o meu pedacinho do Universo
que, bailando, infantil, dorme nos braços
de um Deus que faz o amor; de um vil reverso
cria a ternura e a paz em áureos laços...

E, quando o sonho, efêmero e submerso
em flores celestiais, rouba aos pedaços
os soluços de um anjo e assim num verso
de uma dócil canção leva os teus passos,

desejo eu ser um pouco desse Deus
que, tendo-te nos braços qual criança
conhece bem tua alma e os risos teus.

Amiga Imaculada, vem, descansa
em doce flerte os teus olhos nos meus
e embala-me no amor, a eterna dança !

sexta-feira, 22 de agosto de 1997

REUNIÃO de AGOSTO de 1997 - na ACI

ESTELA M. CARVALHO RIBEIRO

CORAÇÃO  HUMANO

É triste e mudo este coração humano.
Qual velho casarão antigo, ripado,
a mostrar seu aspecto desolado. Insano
a resolver ternas lembranças do passado.

Fiel confidente, amigo que irmano !
Como doce lar agora abandonado,
visto em seu ruinoso vulto desumano
pelas mortas ilusões, hoje algemado.

A desilusão suas paredes dominou
a dor bloqueou seus ventrículos e artérias,
não mais sente do amor nenhuma emoção.

Tudo o tempo voraz varreu,desmontou
transformando sentimentos em matérias,
nem mais por saudades ousa chorar este coração !

sexta-feira, 18 de julho de 1997

JULHO - 1997

DULCINÉA B. LIMA MARCHIORI

D E U S

Entre flores e abrolhos
Quero ter nos olhos meus
A visão de outros olhos
Dos olhos eternos de Deus.
     Ver além da aparência,
     Acima do bem e do mal
     Ver somente a Consciência
     Do puro amor celestial.
Se desdobrando incontida
Em tudo que a visão alcança,
Na pequena larva esquecida,
No homem, numa criança.
     Oh ! meu Deus ! Poder sem medida !
     Concedei-me Vossa Visão !
     Que eu seja Vossa Vida
     No peito de cada irmão.
Só assim, deslumbrada,
Verei que sou alguém,
Pois a Vida contemplada
É minha Vida Também.