domingo, 4 de abril de 1999

ABRIL - 1999 - CAMILO


CAMILO  GUIMARÃES

LEMBRAÇAS  DE  ESQUECER - 6

Na algazarra de cada brincadeira,
Assim ia vivendo a criançada:
A pipa no alto, toda alviçareira,
Bate-pique, bem rápido, e a queimada,

O pião zumbia em fuga da fieira,
Iam barcos de papel pela enxurrada,
A bolinha de gude ia certeira
Ser campeã numa única parada.

Na rua ou no quintal de uma vizinha,
Jogava-se, vibrando, a amarelinha
Ou o passa-anel nas mãos mal comprimidas,

Futebol tinha até bola-de-meia,
Às vezes, acabava em briga feia
A mais simples de todas as partidas.


sexta-feira, 12 de março de 1999

MARÇO - 1999 - JEHOVAH AMARAL e ÁLVARO RIBEIRO

JEHOVAH  B.  AMARAL

S O N H O S

A água que brotou da fonte
fresca e clara lá do monte
tênue e calma veio abaixo
deslizando, serpenteando
murmurando, foi traçando
o percurso do riacho.
      Às suas águas, ora um fio,
      se juntou a água de um rio
      se tornaram caudalosas.
      Veio o homem e as poluiu,
      seu encanto então sumiu
      entre lamas pegajosas.
Os meus sonhos concebidos
pretensiosos, coloridos,
que pensei se realizassem,
veio o sol da realidade,
sua imensa claridade
fez que sombras se tornassem.




ÁLVARO  RIBEIRO    (Rico)

DÚVIDA  ATROZ

Gostaria de ouvir aquelas juras,
que para mim fizeste no passado
quando eu vivia só e desprezado
ofereceste-me reais ternuras !
      Não consigo viver com as torturas,
      que tua ausência já me tem causado
      em horas tristes que bem registrado
      minh'alma cobra todas as agruras !
Assim eu levo a vida tristemente
na esperança de que, suavemente
pra mim repitas juras com firmeza !
      Espero então, de ti, palavras belas
      e sentidas, idênticas àquelas
      que um dia ouvi, com rara singeleza !

sexta-feira, 19 de fevereiro de 1999

FEVEREIRO - 1999 - F.VIDAL RAMOS e HONÓRIO CHIMINAZZO

F. VIDAL  RAMOS

TARDE  TRISTE

A solidão cruel a tudo invade,
Desapiedada e louca, rude e fria.
Na rua triste, de ilusões vazia,
O fantasmal prenúncio da saudade.
      Marmórea, a tarde tem a cor de jade,
      E faz-se a pouco e pouco mais sombria,
      Enquanto a incontrolável agonia,
      Aumenta de furor e intensidade...
Goteja a tarde nos beirais molhados,
Onde um bando de pombos, assustados,
Cala o arrulhar, pensando em solidão !
      E a soluçar o pranto da alma morta,
      Vai morrendo - abraçado à tua porta -
      O meu pobre e sofrido coração !




HONÓRIO  CHIMINAZZO

PELA  METADE

Eu sei que existe um Deus de amor e bondade,
Que me deu a existência e muito mais...
Mas tudo o que me deu foi pela metade...
Jamais senti, por inteiro, a felicidade !
      Já não consigo escrever meu verso
      E cansado procuro a musa desaparecida,
      Talvez perdida ou escondida no universo
      Deste peito triste, desta pobre vida !
Acredito em Ti, meu Deus amado
E por essa fé ainda resisto.
Perdoa-me porque não sei sofrer calado,
      Nem ter aprendido a lição de Cristo...
      Sei que tenho a alma cheia de maldade
      E em vão procuro encontrar a outra metade !

quinta-feira, 14 de janeiro de 1999

JANEIRO - 1999 - Alcy Gigliotti e J.B.Muniz Ribeiro


ALCY  GIGLIOTTI

LIVRE  ARBÍTRIO

Não te enganes, companheiro,
caminhando pelo mundo:
vais achar amor profundo
e a tragédia do dinheiro !
      E tens de escolher !
      Na luta sem trégua
      do ter e do ser
      é tua opção...
Olha e define,
usa a razão !...
Que o tempo futuro
depende da música
que fores compondo
na vida-canção !...




J, B. MUNIZ  RIBEIRO

LÁGRIMAS  E  RISOS

Recordando o passado descobri,
Que foram poucas minhas alegrias,
Mas, de lamúrias foram longos dias,
Amargos e penosos que vivi.
      Daquela casa branca, junto a ti,
      Eu somente guardei fotografias
      Nas caixas de lembranças, tão vazias,
      De tantas esperanças que perdi.
Eu fui passando pela vida afora,
Às vezes rindo, como rio agora,
Mostrando-me feliz a quem me assiste,
      Foi misturando lágrimas e risos,
      Num desvairado mundo de improvisos,
      Que dor não me restou para ser triste !

terça-feira, 12 de janeiro de 1999

JANEIRO - 1999 - S.LANDINI

SIDNEI  LANDINI

O B R E I R O

Quase sem sono, em plena madrugada,
Ponho-me a versejar como em delírio,
E, vagabundo, espero o último círio
Se apagar aos caprichos da alvorada.
      E a Lua se desfaz em prata e em lírio,
      E enquanto vou propondo uma balada,
      Espero que uma rima enfim invada
      A estranha solidão do meu martírio...
Por fim o Sol acorda e sorrateiro,
Por trás de uma montanha ele me espia,
Anunciando afinal o vir do dia.
      E então, que coisa estranha, eu, o obreiro,
      Que queria escrever palavra bela,
      Só consigo lembrar do nome dela !

sexta-feira, 18 de dezembro de 1998

DEZEMBRO - 1998 - Laís e Landini


LAÍS  RODRIGUES  de  LIMA

TODO  DIA  DEVE  SER  NATAL

Quando chega o Natal fico magoado 
ao ver tanto contraste nesse dia;
ceia e fartura em casa do abastado
e na do pobre a mesa está vazia.
      Vinho, uisque, leitoa e frango assado,
      costuma-se ingerir com alegria;
      e esquecendo do Cristo o bom recado,
      transformam data santa numa orgia.
Não foi esse o recado à humanidade,
mas puro amor a Deus, fraternidade,
em síntese perfeita e divinal.
      Que deve estar no coração presente,
      hoje, amanhã, depois, eternamente,
      pois todo dia deve ser Natal !





 SIDNEI  LANDINI

ESCREVE,  POETA

Faz mais um verso, plange tua lira,
E canta o tempo, as flores, o passado,
E tudo o que ficou abandonado,
E que ao amor em tudo se refira.
      Faz mais um verso, um verso de safira,
      Que tenha o tom e o ritmo de um bailado;
      Verseja, poeta, um verso com cuidado,
      E evita nele pôr uma mentira !
Não deixes que teu estro se emudeça,
Faz de tudo por ele, que pareça
Aos outros que és feliz, mesmo não sendo !
      E se, acaso, teus olhos se umedeçam,
      Não deixes que teus sonhos bons pereçam:
      Faz mais um verso, mesmo que sofrendo...

domingo, 15 de novembro de 1998

NOVEMBRO - 1998 - THIAGO e FANNY

THIAGO  MENEZES

AMOR  PERDIDO
Como foi que mediste meu amor por ti ?
Como foi que teus olhos me enganaram ?
Foi por escutar palavras do silêncio infinito
ou por teu corpo... inesquecível ?
Há tanto tempo,
com os teus lábios em maldição,
um dilúvio de beijos
cobriu-me por inteiro.
Tu me amaste !
E eu apenas assisti como nuvem sem destino
o afastamento do teu corpo inolvidável !





FANNY  CRAVEIRO

IDADE  TERCEIRA
Terceira idade solene,
como passaram de repente,
esses anos jubilosos,
vejo-me agora contente !
      Terceira idade é brilhante,
      muito revela a contar,
      passaram horas sofridas,
      lutando para educar.
No crepúsculo da vida,
forças tem pra caminhar
numa mensagem florida
recado deixo aflorar.